sexta-feira, 6 de março de 2026

 


Sem graça

 

Mais um

banho de água fria.

 

Podia ser de chuva

de língua

de sol e de dia.

Mas...

De novo,

caí numa fria.

 

Quem diria?

 

Eu já sabia!

Só não quis ver o que já via.

 

ps: por favor, não ria.


 COBRA

 

Ela é silenciosa como uma cobra.

Serpente da própria história.

Envenena a mente,

cria o vazio,

faz parecer que não sente 

nem medo, 

nem frio.


Ela é venenosa debaixo das escamas.

    Quer fruta doce, azeites e tâmaras

                observando o que chega

             e o que derrama

                                chama.

 

Ela não sabe que seus azedos

já mancharam sua pele,

que seus enfeites oxidaram

e as pontas ferem.

 

Ela trocou de pele

para melhorar.

Marcou por onde passava

para se lembrar

que o veneno que tem dentro

é pior do que matar. 


 Anita Coutinho (2025)