sexta-feira, 6 de março de 2026


 COBRA

 

Ela é silenciosa como uma cobra.

Serpente da própria história.

Envenena a mente,

cria o vazio,

faz parecer que não sente 

nem medo, 

nem frio.


Ela é venenosa debaixo das escamas.

    Quer fruta doce, azeites e tâmaras

                observando o que chega

             e o que derrama

                                chama.

 

Ela não sabe que seus azedos

já mancharam sua pele,

que seus enfeites oxidaram

e as pontas ferem.

 

Ela trocou de pele

para melhorar.

Marcou por onde passava

para se lembrar

que o veneno que tem dentro

é pior do que matar. 


 Anita Coutinho (2025)

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