COBRA
Ela é silenciosa como uma cobra.
Serpente da própria história.
Envenena a
mente,
cria o vazio,
faz parecer que não sente
nem medo,
nem frio.
Ela é venenosa debaixo das escamas.
Quer fruta doce, azeites e tâmaras
observando o que chega
e o que derrama
chama.
Ela não sabe que seus azedos
já mancharam
sua pele,
que seus
enfeites oxidaram
e as pontas
ferem.
Ela trocou de
pele
para melhorar.
Marcou por
onde passava
para se
lembrar
que o veneno que tem dentro
é pior do que matar.

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