PSEUDÔNIMO
Ela inventou outro nome.
Embaralhou suas letras
como se fossem cartas do seu futuro,
misturou as vogais,
mostrou um modo melhor
de ficar diferente
sem sair do lugar.
Quem vai ser agora
que pode ser chamada de todas as maneiras, a qualquer hora?
não sabemos o que fará
agora que se vê de fora
agora que se tornou outra
agora que desistiu
de ir embora.
Agora não sei.
Não posso entender,
não sei te explicar.
Ela ficou melhor assim
sem sequência
outra aparência
diferente de mim
que preferi continuar.
que não precisa
interpretar.
Sorte minha
que não preciso
me explicar.
Sabe quem sou eu?
não diga meu nome
ou vou trocar
antes de você me chamar.
(Anita Coutinho. Janeiro 2022)