segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Atraso


ATRASO 


Te espero no centro 
De mais uma cidade 
Cheia de ritmo 
Você se atrasa mais uma vez.; 
Eu passo sua frente 
Novamente. 

Te digo adeus 
Sem notar os porquês.; 
Você sequer avisa 
Que eu cheguei 
Ou que você saiu. 
E agora é hora 
De baixar os olhos 
De deixar o sol cair. 

Eu me atraso desta vez 
Quem se confunde 
Talvez seja sempre eu. 
Quem sabe errei o lugar? 

Talvez eu te ligue ao amanhecer 
Talvez 
Eu nem te olhe quando você chegar.

A cidade se atrasa agora 
Perdeu a hora 
Não foi por maldade 
E ela nos olha e chove.; 
Ou chora? 

Todos, tantos 
Passam de ponta a ponta 
Silhuetas que se intercalam 
Entre os sinais de trânsito.; 
Com as suas passadas 
Passo a passo.; 
Na regra de seguir adiante. 
Falam demais... 
E passam como se quisessem 
Atingir o imaginário. 

Você se atrasa ainda 
E descrevo um anônimo... 
Ele me observa sem notar 
Que palavras estão ao redor. 


A cidade nos chora um pouco 
A chuva aumenta 
Desanimada pelo seu atraso 
Ou pela minha hora, 
Talvez por mais este verso 
Que inunda o papel vazio... 


O lugar não está errado 
Mas o atraso 
Sempre estará atrasado.; 
Mesmo que eu tivesse 
Mentindo 
Desde o poema ter começado. 

O lugar marcou sorrisos 
Briga, perda, vitória. 
Guardou as flores que foram trazidas 
E entregues para ela. 
Guardou tantos versos 
Criados aqui. 

Agora 
O lugar é atraso! 
Jamais estive longe daqui 
E ainda vivo 
Nas reminiscências das flores 
Que vieram junto de ti. 

O atraso paira no ar 
Chega por aqui 
Eu me despeço 
Sem pressa 
Esquecendo tudo 
E todos os versos que escrevi. 


Anita de S. C. 
Rio de Janeiro 05 de Outubro de 1999