quinta-feira, 12 de março de 2026

 



Quando o tapete é puxado

    quanto 

       tempo 

       dura

        a

   ver 

        tí 

         gem ? 




Anita Coutinho

 



De repente

o sorriso virou noite

e choveu

dentro do seu coração.







Anita Coutinho

sexta-feira, 6 de março de 2026

 


Sem graça

 

Mais um

banho de água fria.

 

Podia ser de chuva

de língua

de sol e de dia.

Mas...

De novo,

caí numa fria.

 

Quem diria?

 

Eu já sabia!

Só não quis ver o que já via.

 

ps: por favor, não ria.


 COBRA

 

Ela é silenciosa como uma cobra.

Serpente da própria história.

Envenena a mente,

cria o vazio,

faz parecer que não sente 

nem medo, 

nem frio.


Ela é venenosa debaixo das escamas.

    Quer fruta doce, azeites e tâmaras

                observando o que chega

             e o que derrama

                                chama.

 

Ela não sabe que seus azedos

já mancharam sua pele,

que seus enfeites oxidaram

e as pontas ferem.

 

Ela trocou de pele

para melhorar.

Marcou por onde passava

para se lembrar

que o veneno que tem dentro

é pior do que matar. 


 Anita Coutinho (2025)

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Não se meta!

 Não se meta!


Sem planejamento

        nenhuma anotação.


Sem cabimento

        nenhuma decisão.


Planando no vento

        até que venha o não.


É seu momento

        não abra mão.


Tanto conselho 

           bonito

Tanta palavra         

        bem dita

    que não ajuda

nem a quem acredita.



Vozes dizendo as regras

        fazendo as rezas

pregando as peças...


Quanto conselho que não presta.

    De nada ajuda,

        não interessa.


Que história é essa? 




(Anita Coutinho)


Sortuda

Sortuda


Ela dá sorte

de não ver meus atrasos

e todas as vezes que me calo.


Será que sabe

o quanto me atrapalho? 


Ela não me conhece

preciso me apresentar



Ela tem que ver

o quanto valho


Que não me perco,

que uso atalhos


Que não me aproximo

porque me espalho


Que quebro fácil

no primeiro estalo.





Será que ela entende do que falo?




(Anita Coutinho)



Acorda, querida!

 Acorda, querida!



Ela agora acha

que não fica mais escondida

vai ser notada, 

vai ser escolhida.


Por onde ela andou

esse tempo todo

para pensar assim

toda perdida? 


Ela acha que aparecer 

de repente

vai fazer ser querida, 

vai ser diferente.


O que aconteceu 

com seu senso,

seu Norte,

sua medida? 



Que trabalho retórico

despertar essa iludida

para ela pisar de volta

na vida.



Acorda, querida!


(Anita Coutinho)