Quando o tapete é puxado
quanto
tempo
dura
a
ver
tí
gem ?
Anita Coutinho
Um espaço (di)verso - Textos de Anita Coutinho
COBRA
Serpente da própria história.
Envenena a
mente,
cria o vazio,
faz parecer que não sente
nem medo,
nem frio.
Ela é venenosa debaixo das escamas.
Quer fruta doce, azeites e tâmaras
observando o que chega
e o que derrama
chama.
Ela não sabe que seus azedos
já mancharam
sua pele,
que seus
enfeites oxidaram
e as pontas
ferem.
Ela trocou de
pele
para melhorar.
Marcou por
onde passava
para se
lembrar
que o veneno que tem dentro
é pior do que matar.
Não se meta!
Sem planejamento
nenhuma anotação.
Sem cabimento
nenhuma decisão.
Planando no vento
até que venha o não.
É seu momento
não abra mão.
Tanto conselho
bonito
Tanta palavra
bem dita
que não ajuda
nem a quem acredita.
fazendo as rezas
pregando as peças...
Quanto conselho que não presta.
De nada ajuda,
não interessa.
Que história é essa?
(Anita Coutinho)
Sortuda
Ela dá sorte
de não ver meus atrasos
e todas as vezes que me calo.
Será que sabe
o quanto me atrapalho?
Ela não me conhece
preciso me apresentar
Ela tem que ver
o quanto valho
que uso atalhos
Que não me aproximo
porque me espalho
Que quebro fácil
no primeiro estalo.
Será que ela entende do que falo?
(Anita Coutinho)
Acorda, querida!
que não fica mais escondida
vai ser notada,
vai ser escolhida.
Por onde ela andou
esse tempo todo
para pensar assim
toda perdida?
Ela acha que aparecer
de repente
vai fazer ser querida,
vai ser diferente.
O que aconteceu
com seu senso,
seu Norte,
sua medida?
Que trabalho retórico
despertar essa iludida
para ela pisar de volta
na vida.
Acorda, querida!
(Anita Coutinho)